domingo, 4 de setembro de 2005

Cabana do Rock – 1ª edição

Aldeia Velha (São Gonçalo/RJ)

ANTIX – FREEDOM – TOÁ – BYRON – SICK – SEM NADA – T.A. – INÉRCIA – JULIETA SUSPENSA


Ao que parece tinham mais bandas para se apresentar nesta primeira edição do Cabana do Rock. Mas como nas atuais circunstâncias (faz tempo que o underground carioca não vive dias de glória, não é mesmo?) seria pedir demais que todo mundo respondesse presente, é melhor tentar olhar o lado bom das coisas. Sim, espaço novo em São Gonçalo. Na verdade a casa funciona faz tempo, mas só agora abre suas portas para os bons sons.

E no palco do Aldeia Velha, entre mais dos mesmos e sons interessantes, uma agradável surpresa pra quem já curtia o underground por essas terras desde tempos atrás. De cara a coisa tava parecendo mais um festival de new metal. Antix, Freedom (que ao que parece se apresenta com um nome diferente a cada show...) e Insane abriram os trabalhos. Destaque para primeira e terceira banda por apostarem em sons próprios, com direito a letras em português e tudo. Um bom começo de tarde. Aliás, tarde que guardava uma surpresa e tanto pra quem se dispôs a dar as caras no Aldeia Velha. Na verdade, pra mim foram duas surpresas. A primeira veio logo depois do show da banda Insane. A ótima banda, com cara de novata, Toá (não sei mesmo se é assim que se escreve) fez o que na minha opinião foi o show mais interessante dessa tarde/noite de domingo. Vocal feminino e som bebendo da fonte de Sonic Youth e cacoete hardcore com pitadas, aqui e ali, de Social Distortion. Excelente show! Logo em seguida o new metal voltou a dar as caras com os (obviamente) fãs de Slipknot do Byron, com direito a cover de Roots Bloody Roots. E tome new metal! Os cara da Sick vieram logo em seguida com percussão, DJ, e muito peso. Um bom show que parecia ser um dos mais esperados pela galera presente. Daí a coisa mudou de figura.

O punk Rock tomou conta do Aldeia Velha. A começar pela cara nova do punk Rock gonçalense com os caras do Sem Nada. Em seguida veio o som ramônico da galera do T.A. que pôs o povo pra pogar com sons próprios como Pão com Ovo e a versão (versão porque o inglês do vocalista André não é, digamos, dos melhores) dos caras pra Blitzkriegbop dos próprios Ramones. E fechando a grande surpresa da noite (ao menos pra mim que não sabia que os caras iam tocar): A volta do Inércia!!! Patrimônio no punk Rock da cidade voltando aos palcos com direito a Homem de Pedra (clááááássico) com baixo em punho! Proletário, Degradação Humana, a nova PNC e o final clássico com FHC puseram a galera pra pogar e relembrar sons que apesar de terem sido feitos faz tempo continuam atualíssimos.

Então foi mais ou menos isso. Um espaço bem legal que merece ser preservado. E como a melhor maneira de preservar é marcando presença, já sabe, né? Se bem que dessa vez só dá pra elogiar a galera que prestigiou os shows das bandas, marcando presença e agitando. Parabéns pra todos e todo mundo pra casa que amanhã é segunda, ok?

por Rafael A.

Infos: bar_toque@yahoo.com.br

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Trama Universitário

Circo Voador (Lapa - Rio de Janeiro)


CORDEL DO FOGO ENCANTADO


Com o lema “Música – Trabalho – Informação”, entro no Circo Voador, na Lapa, depois de dar um quilo de alimento não perecível, no evento da Trama Universitário, pra ver o show do Cordel do Fogo Encantado.

Não conhecia esse aspecto da Trama. Me informando mais, achei até um projeto legal, mas achei mesmo meio elitista fechar um show de graça no Circo Voador só pra universitários (isso mesmo! De graça pra quem cursa alguma faculdade – qualquer outra pessoa não entrava nem pagando!). Até porque o que se via lá era o Circo (que já leva uma “galerinha zona sul” normalmente – um dos motivos sendo os preços nada populares) abarrotados de universitários nem um pouco preocupados com Música, Trabalho e muito menos Informação... A discotecagem antes do show parecia mais uma grande dança do acasalamento com mais de mil animais.

Bem, o que vale é a intenção...

Vamos ao Cordel? Já tinha ouvido falar bastante dele, mas tinha escutado realmente pouca coisa. O resultado foi bastante além do que eu esperava.

Depois de dois rappers cantando alguma coisa que não dava pra escutar com o som muito baixo (menor do que a DJ de antes...), entra o Cordel do Fogo Encantado. Poucas vezes vi na minha vida um show com tanta integração com luzes. Elas eram um espetáculo à parte, e você sentia realmente que elas faziam parte da música. Como era o som? Pra mim, indefinível. Nada do que eu tenha escutado antes chegava perto. Você sentia influências nordestinas (ou o que se costumou a chamar de nordestinas), mas com um vocal completamente rasgado, um violão/guitarra/baixo (pedais, muuuitos pedais) e TRÊS percursionistas (e todo mundo com uma presença de palco fudida), o que você sentia era uma “porrada poética” indescritível.

Com letras bastante críticas (até quando falavam de saudade ou amor), eles tinham todos ali na palma da mão. Meu destaque particular é para “Morte e Vida Stanlei”, quase declamado (Stanlei foi um ajudante de pedreiro, filho de um Severino, que eles conheceram no Rio de Janeiro).

O público, é claro, agitou mais nos hits do Cordel e nem tanto nas letras mais críticas (o que me faz pensar que os universitários de hoje precisam mais de Música, Trabalho e Informação mesmo...). Uma coisa que quase me fez perder um pouco da graça do show: no bis, uma parte que ele parou de cantar, a música continuou. Seria todo o show playback? Ou só o bis? Ou teria eu me enganado? Bem, fica a dúvida.

Eu ficaria muito triste se tivesse sido, porque quando eu saí de lá, eles me tinham na mão. Presença de palco foda, banda foda, porradaria pura (não é hardcore, certo? Mas três percursionistas sentando o pau não devem nada pra muita banda de death, thrash ou crust por aí, só pra citar alguns...). E as letras, algumas gritadas, outras quase declamadas, são poesia pura (mas da boa, hehe).

Recomendo à beça. Se o Cordel estiver passando na sua cidade, corra pra ver (e se você não estiver num curso “superior”, torça pra que não seja por esse projeto da Trama...).

Na volta um episódio inusitado: eu e uma amiga fomos assaltados na Cinelândia (!), mas a polícia militar viu (!!) e prendeu os pivetes (!!!), nos devolvendo o dinheiro (!!!!). Por causa disso fiquei até um pouco menos chateado de não ter levado a câmera. Mas coisas da vida, né? Fica sem foto dessa vez, na próxima a gente capricha.

por Rodolfo Caravana

domingo, 26 de dezembro de 2004

Pic-Nic / Casa da Matriz - RJ

Bom, o evento tinha tudo para ser dos melhores da Sundae Tracks neste mês de dezembro. O evento, clássico da Casa da Matriz aos domingos, já tinha recebido o Acabou La Tequila, “embrião” de bandas como Matanza, Autoramas e Canastra, no fim de novembro e tivera recentemente duas grandes bandas do rock indie carioca, The Feitos e Lasciva Lula, realizando tributos ao Graforréia Xilarmônica e ao álbum “Jardim Elétrico” dos Mutantes, respectivamente. Quando saiu, como foto e tudo na seção Rio Fanzine do “O GLOBO”, a notícia de que haveria show do Pic – Nic, com abertura de Moptop, tocando London Calling, a sensação foi quase de um paraíso terrestre. Logo o Pic-Nic, banda ascendente com um pop – rock honesto cantando um dos maiores álbuns da história do rock? Era primordial conferir aquele show pós – natalino (26/dez).

Como dito, o Pic – Nic é bom. O London Calling é bom. Mas Pic – Nic com London Calling, não combinou…mesmo!

Pra começar, a chuva de Domingo afastou boa parte do público, que ainda assim não esteve abaixo da média. Até iniciar o show, às 23h30min (estava marcado para às 22h), o público estava relativamente pequeno. Em segundo lugar, infelizmente o público esteve lá em sua maioria para prestigiar o MopTop que o Pic-Nic. E a primeira banda até não fez feio. Com um visual meio Strokes e um som pop-rock, a banda cantou músicas próprias intercaladas com covers de Cure, Kings of Leon, Kinks e Ramones, esta última fechando o show. Com o público conhecido, a banda se mostrou solta.

Já o aguardado show do Pic-Nic foi decepcionante. Não só em termos da platéia. Mostrando um certo desconhecimento sobre o álbum homenageado, ouviu – se certos hurros quando a banda abriu com London Calling e finalizou com Train in Vain. Mas o resto do show acabou sem empolgar ninguém (exceto este escriba, um dos muitos fanáticos pelo álbum). A banda deu uma boa sacada em “converter” para um lado mais pop-rock as músicas da banda, e mesmo os erros nas letras de algumas músicas não eram significativos (afinal, o rock nunca foi adepto de formalidades...). O problema principal é que bem...Usaram o Clash para vender Pic-Nic! Para quem tinha ouvido o The Feitos na semana anterior tocar 14 faixas do Graforréia (além do Disco do Roberto), a expectativa era de, se não fossem tocar todas as faixas de London Calling (e são 20 faixas), pelo menos calcassem a grande maioria do show com essas faixas. Pois bem, das 17 faixas do set list, nove eram do próprio Pic-Nic, e oito do Clash. ~

Tudo bem que as oito tocadas eram clássicos da banda (London Calling, Brand new Caddilac, Hateful, Spanish Bombs, Lost in the Supermarket, Guns of Brixton, Death or Glory e Train in Vain)…mas é menos de 50% do set list do álbum. E tributo do Clash sem, por exemplo, Clampdown é algo inimaginável. Logo ela, tida por muitos como a mais significativa canção de protesto do rock (graças ao verso “deixe a raiva ter sua hora, raiva pode ser poder, você sabia que pode usá – la?”). A música que faz Phillipe Seabra, em seu projeto Clash City Rockers, urrar no início “BEM VINDO AO MUNDO REAL”....NÃO, NÃO FOI um tributo à altura do Clash. O show acabou logo à uma da matina, e se seguiu a boa festa indie da Sundae, liderada pelo DJ Melvin. Mas que foi vendo gato por lebre, não há dúvida, e deveria haver processo por propaganda enganosa. Venderam Pic-Nic com embalagem Clash.

por Bernardo Poças

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

sábado, 4 de dezembro de 2004

Niterói é Rock!

Convés (Niterói/RJ)


SEU MIRANDA – XEROLFTALMIA – BENDIS – THE FEITOS


Mais uma tarde de sábado com show no Convés. Desta vez não tinha desculpa pra galera não chegar junto. O único evento, além deste, seria em São Gonçalo e bem mais tarde. Logo, tivemos casa cheia, né? Nem tanto... Tudo bem que o público presente não foi dos piores. Mas sempre fica aquela idéia de que poderia ter aparecido mais gente. De qualquer forma, vamos ao que rolou no palco do Convés, né?

Os primeiros a subir ao palco foram o pessoal do Xeroftalmia. Banda de Jacarepaguá. A garotada, que já tem demos e um CD lançados mostrou um som que transita entre o hc melódico e os sons de Seatle. Sendo a influência de Nirvana & cia. evidenciada num cover do próprio Nirvana. O show parece ter agradado a galera que começava a dar as caras no lugar. Em seguida foi a vez dos locais do Seu Miranda. Com CD recém lançado e uma certa projeção na mídia local a banda aposta em um som com pitadas de hc, ska e letras bem humoradas. Quem curte o filão curtiu o show dos caras que contou até com versão para uma música do, acreditem, Tiririca. Com mais tempo de estrada, logo em seguida foi a vez do Bendis fazer um bom show. E a cada vez que confiro um show dos caras sinto as influências de surf music ficarem mais evidentes. Bom show. Em seguida foi a vez da cruza de Jovem Guarda com Rock de Garagem do The Feitos subir ao palco para fechar a noite.

No final podia-se dizer que o público foi até bom. Pena rolar hora pra encerrar os eventos no espaço. Se a coisa rolasse madrugada adentro, com certeza a galera chegaria em maior número. Saldo positivo e que venham outros. Mais bandas de fora, bandas novas locais surgindo, enfim. Que venha algo...

por Rafael A.

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