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domingo, 14 de junho de 2020

Sobre recomeços, retomadas e afins.


por Rafa Almeida

Em janeiro deste ano este fanzine completou dezoito anos. Das primeiras edições, xerocadas, passando pelo formato jornal até chegar às várias tentativas de versões online, muita coisa (muita mesmo!) aconteceu. Entre idas e vindas, um "hiato na pausa" para defender o óbvio em 2018 e o caos da pandemia, a ideia de que é importante e necessário se fazer presente, interferir e contribuir da forma que for possível (e ininterruptamente) foi amadurecendo.

De novo, mais uma volta, mais uma forma de recomeço deste fanzine que, no fundo, nunca parou. Mas que precisa, assim como este que vos escreve, de tempos em tempos reafirmar que ainda existe, que resiste, que sabe das ameaças que tempos sombrios trazem consigo e, sim, que tem lado nessa história.

Ao longo da semana tem listas com dicas de conteúdos pra tempos de quarenta, iniciativas solidárias no combate à pandemia, dicas de filme e por aí vai!

Vem aí entrevistas, reviews, poesia, lançamentos da galera do underground e tudo o mais que pudermos fazer pra cumprir o mesmo objetivo (ou saciar a mesma necessidade) de dezoito anos atrás: difundir arte, espalhar cultura, reafirmar uma postura de resistência diante das sombras e o mais importante, contribuir (contribuição das mais humildes, ok, o FMZ sabe disso).

Ah, sim! Você músico, que tem sua banda, que faz um fanzine (ainda existimos! rsrs), escreve poesia, faz arte, interage e interfere no mundo à sua volta de alguma forma: Você é muito importante nesse momento do mundo e, principalmente, de nosso país. Não pare!

Mais uma volta do que nunca se foi. Só pra constar....

Quem puder, fica em casa. Se puder contribuir pra diminuir o sofrimento de alguém nesse momento, faça! Cuidemos uns dos outros. Cuidemos dos nossos.

"O lado certo da história não tem sangue nas mãos!" (Dead Fish)

ATENÇÃO: Você que está se movimentando para diminuir o sofrimento de alguém em tempos de pandemia, da forma que for, faça contato pela fanpage ou no latitudezeroprod@gmail.com para ajudarmos a divulgar sua iniciativa!

domingo, 10 de maio de 2020

Mova-se! :: Coronavírus e a Corrida de Rua


por: Rafa Almeida

Era pra ser sobre as dificuldades que nós corredores tempos em, após um período de inatividade, voltarmos a correr e termos bons rendimentos nos treinos. Veio a pandemia, o isolamento e a crise por conta do Corona Vírus e tudo mudou (está mudando e vai mudar ainda mais). Ao menos por hora, ninguém vai voltar a correr (ou, pelo menos, não deveria). Só que não dá pra ficar na cama ou no sofá, se lamentando pelo condicionamento indo embora, o volume de treinos que vinha sendo mantido à base de muito esforço, enfim. Não precisa ser assim!

Só quem corre sabe a importância da atividade em nossa rotina, a diferença que um treino logo cedo faz ao longo do dia. Na nossa saúde mental, então, nem se fala! Porém, em tempos de isolamento, é importante não ficarmos parados, sem nos movimentarmos. Sair pra correr, independente do horário ou local, aumenta as chances de contágio e transmissão do vírus. Sendo assim, sejamos responsáveis com os nossos e com os outros!

Quem tem espaço em casa dar uma caminhada ou um trote bem de leve, talvez esteja sentindo menos. Caso contrário, esse parece ser um bom momento para pensar numa planilha com exercícios de fortalecimento muscular, por exemplo. O importante é não parar! Pipocam na internet canais, apps e sites que oferecem bons cronogramas de treinos em tempos de quarentena. Há de se tomar cuidado pra não embarcar em qualquer canoa furada e acabar se lesionando, claro. Porém, o mais importante é não deixar o desânimo que bate quando a gente fica sem correr tomar conta!

Corredores mais experientes talvez consigam lidar melhor com essa súbita parada (ou mudança) nos treinos. Porém, pra quem estava dando os primeiros passos na corrida, e ainda se adaptando a uma nova rotina de atividades físicas, simplesmente não poder sair pra correr pode pôr a perder o esforço feito até aqui. Nesses casos, o que importa é não se acostumar ao sofá! Sendo assim, não pare! Mexa-se!

Sempre insisto que não sou abalizado para tratar de coisa alguma relacionada à prática esportiva. A ideia é compartilhar minhas experiências, partindo de uma tomada de decisão que resultou numa mudança drástica de hábitos, há alguns anos atrás. E a corrida foi fundamental nesse processo. Lá no início disse que era pra ser um texto sobre as dificuldades de se recuperar o ritmo de treinos após um período de inatividade. O mundo mudou, nossa realidade mudou. Me peguei trancado no quarto pensando em como faria pra me movimentar, ou como não ganhar peso demais e outras neuras que batem quando a gente fica sem correr. E achei importante compartilhar isso com vocês!

É sempre bom ter em mente que, quanto mais altas conseguirmos manter as taxas de isolamento, mais rápida será a volta a algo próximo da vida que tínhamos antes de todo esse caos! Pra quem estava começando na corrida: relaxa! Aqueles poucos metros vão voltar a ser 1k, que depois vira os primeiros 5k e por aí vai… E pra galera mais cascuda, em breve estaremos nas ruas recuperando nosso volume de treinos e fazendo RP por aí! Sejam responsáveis. Cuidemos uns dos outros, cuidemos dos nossos. Vai passar! Fiquem em casa!


Dicas de canais e apps que podem ajudar:


foto: Rafa Almeida









terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Artigo (ou coisa que o valha) :: O que é underground??


por Rafa Almeida

Todo mundo que em algum momento da vida frequentou ou se envolveu com a cena underground, qualquer que seja a vertente, já ouviu a pergunta que dá nome ao presente artigo. Pergunta aparentemente simples, mas que quando precisamos responder traz à mente tantas questões, que nos vem todo tipo de resposta. Menos a que gostaríamos de dar...

Seria bastante simples falarmos de underground como o universo das bandas e selos independentes, os shows pra meia duzia de interessados, fanzines e por aí vai. Mas assim estaríamos falando apenas do underground como conhecemos. Ou ao menos a minha geração conheceu, lá pelos anos 1990. A rede de contatos e troca de materiais via correspondência, afinidades que surgiam de gostos tão específicos (mas tão específicos!), que tínhamos a sensação de que nós e a pessoa com quem trocávamos carta éramos os únicos que conheciam determinada banda ou estilo!

É muito comum esquecermos que o cenário descrito acima remete apenas à uma vertente do underground. Ou, ao “underground roqueiro”. E de alguma forma, isso dá pistas do porquê de tanta gente com ideias conservadoras terem “surgido” no meio de uns tempos pra cá. Mas aí já é outra história... Voltando: tratar underground como um emaranhado de cenários culturais alternativos que podem ou não se cruzar em algum momento seria o mais correto. Porém, isso torna achar uma definição para “underground” uma tarefa bastante árdua.

O que não é consumido pelo mainstream (show business, universo pop, cultura de massa...), que não é difundido pelos grandes veículos de comunicação ou simplesmente dialoga com um público específico demais para ser levado em conta pelo mercado é underground, correto? Sim. Mas depois que a humanidade desaprendeu a viver sem internet e as redes sociais tomaram conta da vida de todos (ou quase todos), ficou meio difícil estabelecer um limite entre o que é underground e o que é mainstream.

Considerando que toda a produção artística que não esteja sob os holofotes da grande mídia possa ser classificada como “underground”, não é muito difícil identificar certas diferenças entre underground e mainstream. Tipo: “seu amigo poeta no Facebook x poeta homenageado na FLIP”, “a banda de seus colegas de faculdade x atração do palco mundo do Rock in Rio” ou “o grafiteiro do bairro x o cara que expõe na galeria de Nova York”. A lista é grande: “cena clubber x dance music” (ao menos nos 90's), “sertanejo universitário x sertanejo de raiz”, “Punk de subúrbio x banda Punk que assinou com gravadora” e por aí vai... Fato é que com o advento da internet toda essa discussão ficou muito mais complicada

Se por um lado o mundo virtual trouxe consigo uma gama de possibilidades quando o assunto era distribuir ou apresentar sua obra ao público, o artista sem recursos ainda levaria um certo tempo pra sacar que sem investimento nada aconteceria. Sua música, poesia ou sua HQ poderia chegar a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo com um apertar de botão. Mas isso não queria dizer que um número substancial de pessoas se interessaria por sua obra. De alguma forma, se falava pra mais gente, sim. Mas daí a essa exposição ser o bastante pra levar alguém ao mainstream, era outra história.

Ainda sobre a grande rede (é, sou velho...). É estranho pensar que mais facilidade na comunicação e na difusão de determinada produção cultural não fez com que certos cenários crescessem, mas sim com que se isolassem. Vejamos: quanto mais as redes sociais se popularizavam, mais as pessoas se isolavam. Ou se fechavam em suas bolhas. E esse movimento não se limitou ao ambiente político. Cada vez mais os eventos underground ficavam mais restritos a seus nichos, ou ao círculo de amigos dos artistas que deles participavam (ok... há exceções).

Ao mesmo tempo que se via o abismo entre os dois mundos diminuir (com a comunicação facilitada), era como se underground e mainstream de alguma forma se afastassem. Estranho, né? Surgiram artistas/cenas intermediários. Algo como uma galera com um mínimo de estrutura e investimento suficientes para lhes dar destaque em sua cena, mas não o suficiente para fazer dessa galera mainstream. E alguns aspectos comuns aos dois universos contribuíam pra isso.

B.Negão cantou certa vez no Planet Hemp que: ”Underground ou mainstream, a maioria age igual pra mim. Caminhos diferentes que levam pra um mesmo fim”. O trecho é certeiro! Apesar da diferença de estrutura, investimento e popularidade, há aspectos que se referem a ambos os universos. Concorrência, puxadas de tapete, egos inflados e toda sorte de exemplos do que de pior habita o ser humano são facilmente identificados em qualquer cenário, independente do valor do cachê (e olha que às vezes nem há cachê!).

Ainda assim, há quem defenda que todo artista underground sonha em ser mainstream. Nunca fez muito sentido pra este que vos escreve. Afinal de contas, de poetas a bandas Punks, passando por artistas plásticos, há cenas e movimentos culturais que sempre fizeram questão de se manter longe dos holofotes. Seja por convicção filosófica, necessidade artística, opção de mercado (até isso é possível, e faz todo sentido!) ou por vaidade, pura e simplesmente.

Underground tem a ver com posicionamento político? No entender deste que, atabalhoadamente vos escreve, tem sim! Mas calma! Não me refiro a militância partidária, nem nada do tipo. Isso pode haver, ou não. Mas entendo que cenários que existem à parte da cultura de massa e são, na maioria das vezes, mal vistos e incompreendidos pelo ”mundo lá fora” deveriam adotar uma postura libertária, a favor da diversidade (de todas as formas). Ou, no mínimo, combater toda e qualquer forma de discriminação (aliás, como toda arte deveria fazer). Me parece que seria o mínimo, mas enfim..

Ok! Toda produção artística que está fora da grande mídia é underground. Com isso concordamos, certo? E a internet cagou tudo (no melhor dos sentidos) quando deu ferramentes para que "qualquer um" espalhasse sua arte, ou mesmo que qualquer cultura fosse difundida sem precisar das “vozes oficiais” para tal. Acho que concordamos com isso também, né? Só que, por exemplo, as ferramentas de impulsionamento (chama assim mesmo?) nas redes sociais (entre outros fatores) serviram pra nos lembrar que a grana ainda dita quem aparece mais ou não. E isso dificulta qualquer forma de exposição minimamente democrática, não é mesmo?

Daria pra ficar aqui eternamente listando aspectos que aproximam e afastam o underground do mainstream. Mas como a ideia aqui é tentar uma definição abrangente o bastante pra caber o máximo de cenários, manifestações, movimentos e vertentes artísticas que se possa classificar como underground, melhor não mergulhar tão fundo! Creio que tudo que soa de difícil assimilação, restrito (infelizmente) a pequenos nichos ou que sobrevive longe dos grandes circuitos pode ser chamado de underground! É assim na música, no cinema, teatro, poesia, artes plásticas, literatura e até com grupos políticos!

Sabe o poeta recitando num sarau na praça, o músico se apresentando na barca ou no metrô? Ou aquele show de Rock com um monte de banda se revezando no palco (e você não entendendo nada), o fanzineiro tentando te passar seu zine por uns trocados na porta do bar, a instalação em lugares inusitados (que você não viu anunciada no jornal), o escritor vendendo livros no boca a boca e por aí vai? Tudo isso (e mais um monte de coisas que a gente nem sabe que acontece por aí) é o tal do underground.



foto: poeta Carlos Brunno, de Valença/RJ, em edição do Sarau Feira Moderna (por: FMZ) 

domingo, 7 de julho de 2019

Artigo :: Sobre diversas formas de (re)existir


por: Rafa Almeida

Há tempos sem atualizar isso daqui, né? Pois bem, entre idas e vindas deste fanzine na web, uma das questões que mais atormenta este que vos escreve é: como fazer com que o FMZ ainda soe relevante? Longe de uma solução pra nossa versão online, achar um formato pra internet que minha incompetência tecnológica consiga dar conta ainda é um dilema e tanto.

Sempre atrasado com relação à novas mídias e tecnologias, meu contato com o mundo dos podcasts se deu não tem muito tempo. E foi nesse mundinho maluco de apps e plataformas cheio de coisas bacanas que (muitas vezes) remetem a um tipo de rádio que há muito não se faz que dei de cara com um dos responsáveis por minha mente musicalmente perturbada: o RoncaRonca!

Isso mesmo! O “programinha” de Maurício Valladares (foto) ainda resiste! E o termo correto é esse mesmo: resistir. Conheci o RoncaRonca na virada da década de noventa para os anos dois mil (possivelmente um pouco antes disso). Na época, apesar de modismos pra tudo quanto era lado (inclusive no mainstream do Rock), ainda havia alguma chance de encontrar música alternativa no rádio. E foi na finada Imprensa FM que descobri, entre outros, programas como EP Vanguarda e RoncaRonca.

O primeiro com uma cara mais de “underground carioca”. Rock Alternativo, Hardcore, nessa onda. Aliás, o especial que virou demo ao vivo da banda carioca Formigas Desdentadas, numa das edições do EP Vanguarda, ainda consta nos arquivos deste que vos escreve. Devidamente gravado em fita k7! Já a atração comandada pelo DJ e fotógrafo Maurício Valladares era (e ainda é!) um verdadeiro caos! Tinha (e tem!) de tudo! Rock Clássico, Jazz, Reggae, Soul, experimentalismos e toda sorte de sons!

Desses tempos, ficaram alguns bons registros na minha coleção de k7's (a parte da qual não consegui me desfazer): um ainda desconhecido Rogério Skylab, os incríveis Black Alien & Speed e Paralamas tocando ao vivo nos estúdios da rádio e o Dado, da Legião, mostrando raridades da banda entre outros momentos bacanas. Tudo gravado ali, na hora e com o ouvido grudado num duplo deck da Gradiente. Era esperar o programa entrar no ar com o dedo no rec e torcer pra rolar intervalo na hora de trocar o lado da fita!

Ouvi muita coisa pela primeira vez no RoncaRonca: Afrika Bambaataa, os citados Black Alien & Speed (ainda juntos), o Surf Rock da Man Or Astro Man, a carioca Bia Grabois e mais um monte de gente boa de todas as épocas e vertentes possíveis e imagináveis! A salada musical do mais alto nível oferecida por Maurício Valladares foi uma das responsáveis por este fanzineiro (em tese, quase aposentado) ter se livrado de boa parte dos preconceitos musicais que ainda carregava até a virada do século.

Por muito tempo reticente quando o assunto era música brasileira, não resisti a Bezerra e Paulinho da Viola surgindo (quase que) estrategicamente entre Hendrix e Led Zeppelin, ou entre um Peter Tosh e algum clássico Progressivo! Afinal, era tudo música! E ter acesso a tudo aquilo pelo dial só tornou a coisa mais marcante, dada minha paixão por rádio!

O RoncaRonca surgiu na clássica rádio niteroiense Fluminense FM, teve outros nomes e rolou em outras rádios até chegar na Imprensa FM. Passou rapidamente pela Rádio Cidade (se bem me lembro) e se mudou pra Oi FM antes de desaparecer do dial carioca. Até onde entendi a Oi FM continua ativa em outras praças, com o “programinha” de Maurício Valladares no ar.

A saber: A Imprensa FM era uma rádio antiga, do tipo que alugava horários. Na programação rolava desde o programa de Hip Hop da Cufa (a Central Única das Favelas) até atrações dedicadas a pontos de Macumba e tudo o mais que se possa imaginar sendo transmitido via rádio! A Imprensa saiu do ar no começo dos anos dois mil.

De volta ao “Ronquinha”. Descobrir algo tão relevante pra minha formação musical em meio a apps, plataformas, podcasts e modernidades afins é motivo de grande alegria! Como insisto aqui desde os últimos artigos e notas, em tempos sombrios, quando arte e cultura se transformam em inimigos, toda forma de resistência é válida!

E de alguma forma o dilema de nosso FMZ posto no primeiro parágrafo se desfaz quando percebemos que a relevância se dá, muitas vezes, pela longevidade. No caso do RoncaRonca, há muito mais que apenas os anos de existência. É a força e a magia do rádio transportadas para a web. E, independente da plataforma usada para levar o programa até o público, o encantamento de ouvir a salada musical de Maurício Valladares grudado nos falantes do meu antigo duplo deck se deu novamente nos fones do celular. Vida longa ao RoncaRonca e a todas as formas de (re)existência!

Conheça o RoncaRonca.

foto: O Globo

domingo, 10 de março de 2019

Mova-se! :: Vai viajar pra correr?


por: Rafa Almeida

Há quem diga que a melhor forma de se conhecer uma cidade é correndo! E venhamos e convenhamos, quantos novos lugares na sua cidade ou nos arredores você descobriu depois que começou a correr? Como os artigos aqui na Mova-se! se baseiam nas experiências deste pretenso corredor amador que vos escreve, dá pra dizer que a afirmação procede!

É claro que, pra facilitar a vida de quem vai sair de sua cidade pra correr uma prova, já existem agencias de viagens que oferecem pacotes destinados exclusivamente a corredores. Hospedagem, inscrição, retirada de kit e tudo o mais inerente à uma prova. Mas a ideia aqui é falar destes, mas também de outros aspectos relacionados à ida a outras cidades pra correr. Principalmente se a grana é curta e não dá pra desfrutar de certas regalias...

Talvez o mais importante, até pra se evitar problemas de última hora, seja ter muito bem planejado todos os seus passos durante a viagem! E com o máximo de antecedência! Ah! Vale dar um confere em tênis, meias, vaselina e demais apetrechos a serem utilizados durante a prova. Horários, trajetos, transporte, tempo gasto entre o local da hospedagem e da entrega de kit e por aí vai.

Deve haver uma forma mais fácil, mas salvar os locais, bem como os itinerários, no Google Mapas pode resolver a vida do corredor em uma cidade estranha. Se este mesmo corredor, assim como eu, depender do trasporte público, a estratégia descrita acima é fundamental! Pouca intimidade com tecnologia? Roteiro detalhado numa folha de papel e pé na estrada!

Como disse anteriormente, tudo aqui é baseado em minhas poucas experiencias no universo da Corrida de Rua. Sendo assim, vou tocar no ponto que mais me complicou a vida mês passado, quando saí de Niterói/RJ para a Meia Maratona Internacional de São Paulo.

As horas chacoalhando no ônibus (que saiu atrasado), bater perna pela cidade no sábado após retirar o kit, me achar no metrô paulistano, uma ou outra cerveja na tarde de sábado, a noite da véspera numa cama que não era a minha (num hostel praticamente submerso em meio a um temporal), enfim... Nada disso pesou tanto durante a prova quanto ter subestimado o trajeto!

É sabido que se deve estudar o trajeto, altimetria, curvas, cotovelos (retornos). Olhar a previsão do tempo também é importante. E foi aí que o estrupício aqui vacilou... A expectativa era de chuva. E pra quem vinha treinando (ou algo próximo disso...rs) no verão do RJ, um domingo de chuva em SP surgiu como cenário perfeito pra um RP (a saber: recorde pessoal)!

O que era pra ser RP, virou suplício lá pelo km 15. Após me livrar do trânsito de pessoas, comum aos primeiros quilômetros de qualquer prova, não me fiz de rogado e forcei a barra contando que o frio de São Paulo me garantiria um bom desempenho. Só não contava com as subidas (uma após a outra), curvas, cotovelos e tudo o mais que se tem direito ao longo de todo o percurso da Meia Internacional de SP!

Deu pra garantir um Sub 2h, por pouco. E, no final das contas, o desempenho foi até bom. Dois minutos acima do meu tempo na Meia Internacional do Rio do ano passado. Levando em conta que a prova carioca é praticamente plana, até que fui bem! Mas terminei completamente destruído! O bastante pra não ter disposição pra praticamente mais nada no meu ultimo dia em São Paulo...

Se você é do time que curte nosso Test Drive de Buteco, cabe um último toque: incursões cervejeiras devem ser planejadas para depois da prova, certo? Uma ou outra, de leve, até pode ser, mas a empolgação e a ansiedade da véspera de uma corrida importante pode transformar uma em duas, duas em três e três em uma caixa! Sendo assim, cuidado.

Viajar pra correr é legal, sim! Mas correr longe de casa também é sinônimo de rotina alterada. Conselhos conhecidos como, no dia da prova fazer tudo exatamente igual ao que se fez em dias de treinos longos e coisas do tipo ajudam a cabeça e o corpo a sentirem menos a viagem. Tomando cuidado, as lembranças da prova e da viagem podem ser das melhores! Vale a pena fazer pequenos sacrifícios e partir pra correr com outras paisagens de fundo. Sendo assim: organize-se! E aproveite a viagem!


A quem interessar possa: treinos, tentativas, erros, acertos e desastres (comuns a todo corredor) em meu Instagram.

Dicas, links, artigos e outros em nosso grupo Corrida e Caminhada - Niterói/RJ


foto: Meia Maratona Internacional de São Paulo 2019/Yescom

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Mova-se! :: Correr é caro?!


por: Rafa Almeida

Tênis de corrida, meias de compressão, relógio de GPS, assessoria esportiva, mochila de hidratação, gel de carboidratos e uma lista de apetrechos que parece não ter fim! Tudo isso é apresentado de uma vez a quem decide começar a correr. E tudo isso pode sair caro, muito caro... A Corrida de Rua consegue ser o esporte mais democrático, ou o mais elitista. Mas correr tem de ser, necessariamente, caro? Não exatamente!

Tudo começa pelo tênis? Talvez, talvez... É sabido que quando começamos a correr, a técnica (ou a ausência de técnica), principalmente no que diz respeito a pisada, pode facilitar o aparecimento de lesões. Só que entre o risco de se machucar, e os R$800 ou R$900 do último modelo daquela marca famosa, há um universo de distância. E nem me refiro aos tais tênis de entrada (indicados pelas marcas para iniciantes, cujos preços giram em torno dos R$300, ou algo perto disso). Há opções realmente baratas que atendem as necessidades não só de principiantes, mas também de corredores com algum nível de experiência. E essas opções “baixa renda” podem ser encontradas até por menos de R$100!

Tidos por muitos como fundamentais para o trenamento de corrida, os relógios de GPS figuram junto aos tênis como itens mais caros da lista de um corredor. Pra quem está em busca de performance, ou de um plano de treinos que exija um pouco mais de dedicação que o necessário a um iniciante, os relógios de GPS podem ser importantes. Porém, se a ideia é apenas monitorar suas corridas e ter uma ideia do seu desempenho, um app de celular já resolve (são muitos, dá pra escolher!)! Aliás, recentemente, marcas de renome desses relógios anunciaram o fim de suas atividades no Brasil. Ou seja: o que já era caro, tende a ficar mais caro ainda...

Com pouca ou muita grana no bolso, vai ser bem difícil passar batido por eles!. É, literalmente, uma infinidade de acessórios destinados às mais diversas praticas esportivas! E com a corrida não é diferente. Seja em algum site, no outlet da marca famosa ou no camelô, em algum momento você acaba gastando uma grana com braçadeira de celular, cinto/mochila de hidratação ou algum penduricalho necessário (ou não) para seus treinos. A não ser que você seja o suprassumo do “corredor raiz” (daquele que calça o tênis e vai pra rua, simples assim)! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Dá pra encontrar o que você julgar necessário pra facilitar a vida durante sua corrida sem quebrar o orçamento!

E quando chega a hora de correr uma prova? Sim, provas são legais! Funcionam como incentivo nos treinos quando postas como meta a ser alcançada. Correr com amigos, a música, o clima, a camisa bacana do kit... Mas é fato que mesmo provas pequenas, de 5km ou 10km, hoje, são extremamente caras. Dá pra ponderar que os custos são altos para promover esse tipo de evento. Mas que é caro, é! Uma opção bacana pra quem está começando são as provas gratuitas que pipocam por aí. São concorridíssimas, óbvio. E as inscrições costumam esgotar em minutos. Algumas, como o Circuito Corrida e Caminhada UFF tem kits bacanas, cronometragem e boa organização! Vale a pena ficar atento nas redes sociais pra quando pintar alguma prova assim!

Pra maioria dos que começam a correr, os objetivos almejados não variam muito. Perder peso, melhorar a qualidade de vida ou encontrar uma válvula de escape pras agruras da vida moderna. Só mais pra frente uma parte de nós, amadores, elegemos outros objetivos na corrida. Performance, quilometragem semanal, distâncias a serem vencidas, métodos e outros aspectos do treinamento de corrida não precisam fazer parte das preocupações de quem começa a correr. E é claro que quanto mais informação e orientação profissional, melhor.

Mas num país onde nunca se teve, de fato, uma política pública de esportes eficiente (capaz de incutir nas massas o hábito da atividade física e, aí sim, colher frutos com o surgimento de novos talentos sem ter isso como meta principal), é perfeitamente compreensível que o acesso a práticas esportivas acabe restrito a poucos interessados (ou aos que podem pagar). Mas o monstro não é tao feio. Dá pra adotar hábitos saudáveis sem precisar comprometer a grana do mês!


Algumas dicas de vídeos que podem ajudar:

Sobre tênis de corrida barato 1:

Sobre tênis de corrida barato 2:

Sobre aplicativos de corrida:

Sobre acessórios, apetrechos e outros 1:

Sobre acessórios, apetrechos e outros 2:
(meio nutella demais esse daqui, mas vai...rs)

Sobre acessórios, apetrechos e outros 3:

Sobre planilhas de treino online:
:

Mais um sobre tênis de corrida:

A quem interessar possa: treinos, tentativas, erros, acertos e desastres (comuns a todo corredor) em meu Instagram.

Dicas, links, artigos e outros em nosso grupo Corridae Caminhada Niterói/RJ

foto: Corrida de Guaramiranga / divulgação

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Ele Não! Ele Nunca!

por: Rafa Almeida

Era pra ser uma nota curta, defendendo o óbvio e posicionando este fanzine do único lado possível nos tempos sombrios que vivemos. Mas haviam muitos pontos a serem colocados, esclarecidos ou tratados (e nem todos estão colocados no que vem a seguir) nestas tantas idas e vindas do FMZ... e quem diria que chegaríamos a esse ponto, não é mesmo? Me refiro a termos que nos manifestar a favor do óbvio...

Desde seu surgimento, em 2002, ainda xerocado, este fanzine sempre se propôs a questionar. Questionar tudo, mesmo correndo o risco de soar reacionário pra esse ou aquele grupo. Da mesma forma que, de tempos em tempos nos revemos e aprendemos, é importante levantar dúvidas, questões e por aí vai. Interna e externamente.

Porém, há coisas que, simplesmente, não soam cabíveis. É assustador que qualquer um que tenha tido contato com o universo do Punk Rock, do Hardcore, dos fanzines, da contracultura, ou mesmo que consuma “Rock” de “forma casual”, com todo o discurso e postura historicamente libertários que o estilo carrega, abrace conservadorismos de qualquer espécie.

Há quem argumente com “eu só curto o som” ou “estão misturando música com política” e por aí vai... Não! Se você consome uma música ou obra de um determinado artista (seja comprando um álbum, camiseta ou baixando material), por exemplo, você está se posicionando politicamente, sim! Se você canta uma música seja lá onde for, ou toca ela com sua banda por aí, você está (sim!) espalhando a mensagem que ela contém! E toda forma de expressão artística carrega em si uma mensagem. Mesmo quando nem o autor da obra se dá conta disso.

Tudo isso já foi falado e repetido por aí, mas não custa reafirmar. Quem toca, canta, escreve, produz, apoia.. Está, sim, fazendo política. Não a política partidária (já fui muito mais radical com relação a isso, porém, quem quiser fazer que o faça, é legítimo), mas a política que fazemos todo o tempo. No que escolhemos, compramos, consumimos, produzimos e por aí vai. Tudo bem, discussão a ser aprofundada num outro momento. De volta ao tema em questão:

Neste espaço não cabe militância partidária. Sempre foi assim e sempre será. Ninguém terá espaço para vir aqui pedir voto para este ou aquele partido, ou candidato. Vote em quem quiser. Ou não vote. Questione as eleições! Por que não? Este fanzineiro aqui se amarra numa teoria da conspiração, inclusive! Não se sente representado por nenhum campo político? É cabível. Não aceita ser governado? É cabível também.

Dá pra discordar, questionar e refletir quanto à uma série de coisas. Dá pra discutir sobre formas de governar, de se posicionar, alinhamento das frentes progressistas (ou não), militâncias, representantes públicos, negação do sistema político e suas engrenagens, se deve ou não haver um governo, hierarquias, autoridades, enfim. Tudo isso é cabível.

O que não é cabível, é ignorar que há um levante conservador varrendo o mundo. E não é de hoje. E se de um lado se prega racismo, machismo, xenofobia, a negação dos Direitos Humanos e toda sorte de preconceitos e retrocessos, não há como não se colocar do lado oposto.

#EleNão
#EleNunca 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Mova-se! :: Por que falar de corrida (aqui)?


por: Rafa Almeida

Calma! Este fanzine continua a ser um espaço para falar de música, arte e cultura. Com uma atenção espacial ao que rola no underground Fluminense, claro. Logo, não estamos prestes a anunciar nenhuma mudança drástica nos próximos parágrafos.

Porém, assim como um cão e seu dono (ou seu humano, como queiram), é um fanzine e seu editor. O primeiro reflete o segundo. E um muda com o outro. E assim tem sido aqui no FMZ. Em meados de 2017 o zine passou a contar com uma seção de dicas de trilhas. Pratica que este que vos escreve havia recentemente descoberto. E pela qual se encantou imediatamente.

Mas havia outro hábito recentemente adotado que ainda não havia aparecido por aqui, a Corrida de Rua. Em tempo: As mudanças na vida do fanzineiro aqui não foram tão drásticas assim. Prova disso é que o Teste Drive de Buteco ainda figura aqui no FMZ.

Mudanças de hábitos são muito bem vindas em determinados momentos da vida. E incorporar práticas saudáveis ao dia a dia em nada interfere em seus gostos musicais, posicionamentos políticos, nem nada do tipo. Amadurecer faz isso, mas aí é outro assunto...

Ou, nem tanto. Difícil não associar algumas tomadas de decisões a processos de amadurecimento. E perceber que o mosh pit, há tempos já não é mais lugar pra você pode estar ligado não só à sua idade, mas à suas condições de saúde também...

Pra este que vos escreve, a balança marcando120kg, dois maços de cigarro por dia e disposição zero pra atividades corriqueiras foram o suficientes pra ativar o sinal de alerta. Mudanças na alimentação e uma guerra constante (e que quase sempre parece impossível de vencer) contra o cigarro se tornaram prioridade absoluta. E veio a Corrida.

Em um ano e meio se foram quarenta e cinco quilos. O cigarro ainda vai e volta (a tal guerra constante e tal...). E, de tempos em tempos, é preciso uma (re)reeducação alimentar quando o peso começa a sair do controle (normal, acontece).

Este é um depoimento bastante comum no universo da Corrida. Mas fora dele é algo que soa distante, impossível ou “longe demais das capitais” pra maioria das pessoas. Diferente de outros esportes, correr requer apenas sua boa vontade (mais que isso, estaria fora dos meus planos). Umas horinhas da sua semana já são suficientes, acredite.

Mas calma! Você não precisa torrar sua grana em tênis, relógio, inscrição de prova e se dispor a correr feio louco por cinco ou dez quilômetros por uma medalha de participação! Na verdade, pode-se passar a vida toda sem fazer isso uma única vez. A Corrida de Rua pode ser, tão somente, um hábito saudável a ser incorporado à sua rotina. Sem preocupação com pace, distâncias, enfim.

Ao mesmo tempo, acredite, não precisa ser um atleta (na acepção da palavra) para seguir planilhas, monitorar treinos no relógio de gps ou app de celular e acompanhar o próprio desempenho. Tudo isso fará você progredir? Sim. Mas não é estritamente necessário para que você pratique corrida.

Salvo raríssimas exceções, qualquer pessoa pode praticar corrida. Obviamente é preciso de um mínimo de condicionamento físico. Começar caminhando, aumentar os minutos de caminhada e, com o tempo, alternar a caminhada com um trote bem leve... Em pouco tempo, se está correndo (e falando de corrida o tempo todo).

A motivação principal pode ser a estética ou a saúde, tanto faz. Fato é que, mover-se faz bem. E é um ótimo artifício para combater os males da vida moderna. Em tempos de alimentos industrializados por demais, mundo virtual e outros vícios, é preciso contrapor esse tanto de violências que impomos ao nosso corpo e à nossa mente diariamente.

E quando o mosh passa a ser uma atividade não indicada pra nós, é bem provável que já tenha passado da hora de incorporar uma atividade física a nossa rotina. Não precisa deixar nada de lado. Não tem que abrir mão de coisa alguma. Mas mover-se é preciso, necessário. Só tome cuidado pra não se tornar o cara chato que tenta convencer todo mundo a praticar algum esporte. Como este que vos escreve deve estar soando agora.

Até!


A quem interessar possa: treinos, tentativas, erros, acertos e desastres (comuns a todo corredor) em meu Instagram.

Dicas e mais em nosso grupo Corrida e Caminhada - Niterói/RJ no Facebook. 


foto: Meia Maratona Internacional do Rio 2017, por Yescom

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Artigo :: 91.1 FM: E o Rock sumiu..

por: Rafael A.

Quem acompanha este fanzine sabe o quanto este que vos escreve gosta de rádio. Tem a ver com um monte de coisas. Desde o rádio AM na casa da vó, na infância, até a adolescência.

O finalzinho da Fluminense FM, programas da Imprensa FM como RoncaRonca e EP Vanguarda, enfim... Tudo isso foi muito importante pra construir minha relação com a música, arte, cultura e até o meio underground. Até a Rádio Cidade, de alguma forma, durante um curto período (ao menos pra mim), cumpriu seu papel... Mas no Rio, rádio Rock já é um lance meio complicado, não é de hoje...

Lembram da postagem de julho deste ano, aqui no FMZ, onde falava sobre uma rádio tocando Rock'n Roll aqui por essas bandas (leia aqui)? Uma galera de diversos cantos do RJ apareceu por aqui comentando que também foi pega de surpresa, e que conseguiam sintonizar a rádio do slogan “Rock Com Classe!”

Não rolava absolutamente nada de novidade, alternativos, bandas independentes ou coisa parecida. A programação era limitada. E não era difícil se pegar ouvindo as mesmas músicas que havíamos ouvido no dia anterior, na mesma faixa de horário (fosse ela qual fosse...rs). Seja por estar no ar em caráter experimental, como tapa buraco ou coisa que o valha, havia um certo ar de descomprometimento (talvez não seja o termo ideal, ok...).

De qualquer forma, a programação que ia ao ar nos 91.1 FM, só com a vinheta “Rock Com Classe!” de tempos em tempos, era uma verdadeira maravilha! E cumpria um papel que, quem curte rádio sabe, só o rádio é capaz de cumprir. Sabe aquela coisa de cuidar dos afazeres do dia, das rotinas e deixar o rádio ali, ligado dando conta da trilha sonora? Dá pra fazer isso no Spotify, Youtube e demais plataformas virtuais? Dá, sim. Mas não é a mesma coisa. Ao menos pra mim.

E eis que, não mais que de repente, a programação de altíssimo nível que vinha sendo transmitida desapareceu... Saiu o Rock, e entraram Pagode, Sertanejos e afins. Uma pena. Não pelo que se toca ou se deixa de tocar nos tais 91.1 FM agora. Mas o que está rolando lá, já rola de ponta a ponta do dial. E diversidade é sempre legal. Sempre!

O que deu pra sacar foi que se trata de uma frequência sob o controle do Grupo Bandeirantes. Por lá passaram Bradesco Esportes FM e, em alguns horários da fase “Rock Com Classe!”, a Band News FM (na verdade, peguei uma vez só, na madrugada)... Por um momento rolou uma certa esperança, mas... da mesma forma que apareceu, sumiu.

Enfim, no período em que transmitiu Rock'n Roll, a rádio do “Rock Com Classe!” fez bonito. Programação do mais alto gabarito. Infelizmente, a paulista Kiss FM também parece estar deixando o dial carioca. Aqui por Niterói, nada dela faz um bom tempo (aqui do lado, em São Gonçalo, ainda estava rolando...).

Bom, assim como este que vos escreve, quem curte Rock e rádio, continua no aguardo por um dial carioca mais diversificado, plural. Sem saudosismos. Me parece difícil (ok, impossível...) imaginar uma rádio como a Fluminense FM sobrevivendo no mercado de hoje.

Mas ainda acho que é possível (e plausível) um dial, como disse, mais plural no RJ. Que represente a diversidade do público de vários cantos do Rio de Janeiro. E mesmo dentro do “universo roqueiro”, que fale para as diferentes vertentes, públicos, enfim.. É o que se espera (ao menos eu), há tempos.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Artigo :: Ninguém Aqui Defende Bandido


por: Adriano Dias

Os direitos humanos são, em nosso país, como algo que atrapalha o combate ao crime? Estranho é que parece existir um movimento para manter uma concepção, no mínimo equivocada, para toda a sociedade. Talvez se trate de uma maneira de apequenar e colocar a discussão em questões pontuais, como da violência, em detrimento de uma universalidade de exigências que hoje compõem o cumprimento dos direitos humanos. Exigibilidades que, se respeitadas, mudariam toda a conjuntura da sociedade como a conhecemos hoje. Por exemplo, imaginem se todos os policiais do Rio de Janeiro exigissem seus direitos humanos a um salário digno e condições – equipamentos, treinamento, entre outros – adequados a sua segurança? Imaginem todos os professores, alunos e pai exigissem uma escola com direitos humanos?

Me assusta ver que “BolsoMinons”, principalmente jovens, repetindo como papagaios “bandido bom é bandido morto”; “esses defensores de bandido… quero ver quando for assaltado”, entre outros bordões prontos como “intervenção militar!”. Pedem isso mesmo com todos os conteúdos e discussões disponíveis em internet, com acesso a escolas melhores e sem as restrições da censura.

Os mais jovens podem perguntar aos mais velhos como era a Baixada Fluminense durante a ditadura? A soma de violência, mais poder, igual a controle territorial. Não por acaso os operadores das matanças a mando dos poderosos e militares, posteriormente se tornaram vereadores, deputados e prefeitos. Mas neste lugar onde só se via miséria e violência, tinha gente de coragem com alto valor moral e humanístico fazendo a resistência pacífica. Pessoas como o Bispo da Diocese de Nova Iguaçu Dom Adriano Hipólito, que por conta da defesa dos direitos humanos foi espancado e deixado nu pintado de vermelho pelas ruas. Mas quantos sumiram ou foram mortos, não sabemos, vivíamos uma ditadura e os pobres da Baixada, assim como das periferias sociais do Brasil, são os 'morríveis', sem direito à vida.

Nossa região tem um longo histórico de desrespeito aos direitos humanos, porém não exatamente na questão que se vem logo à cabeça quando se fala em Baixada Fluminense. Pouco é falado que a falta de infraestrutura - como de saneamento – que mata mais, ainda que de forma indireta, do que os perpetrados pelos grupos de extermínio. Então temos uma questão estrutural para resolver, não individual. Ou seja, a lex talionis, a pena de talião, a do “olho por olho, dente por dente” tem quatro mil anos - é a lei mais antiga da história da humanidade -, e até agora não acabou com os bandidos.

Não se percebe que os mesmos sustentadores desta visão dos “direitos humanos é para bandido”, também defendem que a pobreza - e não as desigualdades sócio-estruturais – é o estopim para a violência. Não é por acaso que a legislação brasileira oferece “prisão especial” para quem tem curso superior. Não por acaso os mesmos que defendem “que bandido bom, é bandido morto”, são a favor do fórum privilegiado, para si e seus amigos. Estes sim defendem bandidos!

Estes são certamente um dos motivos pelos quais as pessoas são levadas ao entendimento que no Brasil, direitos humanos são na verdade um luxo para poucos.


foto: Adriano Dias


Adriano Dias é fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos, ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Artigo :: A Cultura que Vem da Baixada


por: Adriano Dias

A Baixada teve sua cultura formada com a composição de todas as pessoas que para esta região vieram, começando no período colonial, que trouxeram a mão de obra - e consequentemente a cultura – dos africanos. Chegando a leva migratória após o período agrícola, no século passado, com gente vinda do nordeste e outros estados da Região Sudeste. Todos estes trazendo suas histórias, hábitos e tradições nas bagagens e corações.

Assim a força das suas raízes, a luta incessante pela sua sobrevivência, os desafios do território, foram elementos determinantes para que aqui se formasse uma cultura de valor extraordinário, que encontrou nas suas puras manifestações os meios para externar seu pensamento, apesar de todos os obstáculos e percalços. Acredito que, na verdade, na região da Baixada se constitui um dos caldos culturais mais variados e expressivos do país.

Intimamente ligada à Metrópole do Rio, a região até hoje ainda sofre constantes preconceitos. Entretanto, pelas tradições que herdou dos seus antepassados e da religiosidade que marcou sua formação - associada à renovação dos movimentos legítimos da juventude - hoje a Baixada congrega uma forte identidade cultural, mesmo na imensidão das suas expressões.

Mesmo sendo constantemente estigmatizada pela violência, e tendo a sua visibilidade priorizada nas tragédias, acredito que a Baixada Fluminense ainda é a retaguarda estratégica para desconstruir a cultura de violência no estado do Rio de Janeiro. Ainda podemos entrar com a política cultural - entre outras importantes para a construção de uma segurança pública eficiente -, antes dos tanques de guerra e blindados das policias. Aliás, exatamente as “pacificações” dos territórios estão falidas por não terem na sequência da invasão bélica, o fortalecimento prioritário das também vastas expressões culturais das periferias sociais do Rio de Janeiro.

Por fim, é tornando o indivíduo capaz de encontrar o olhar do outro atento e reverente na sua criação artística que faculta o reconhecendo de seu mérito, de sua criatividade e iniciativa. Assim, teremos a visibilidade tão ansiada pelas pessoas, principalmente os mais jovens através da produção e do consumo de cultura que propicia esta troca. Então, a proposta é chegar ao fundo desta sociedade perdida no ócio que leva a busca da visibilidade pelo consumismo ou violência, com a oportunidade dos instrumentos para a criação e celebração cultural. Isto não é tão difícil e não custa tão caro, nem em dinheiro, nem em vidas.

Quem produz cultura na Baixada foi forjado na luta de quem enfrenta com altivez os desafios da sobrevivência do cotidiano. Aqui é a terra na qual a cultura é expressão legítima e permanentemente da convocação à vida.


Adriano Dias é fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos, ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

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