Tuca Marques Acústico Vol.103/12/2010
Casa da Santa (Santa Bárbara, Niterói/RJ)
TUCA MARQUES
foto: Rafael A.
Tuca Marques Acústico Vol.1
A galera da banda Os Clodoaldos já faz barulho aqui pelo região desde 2005! Com influências de Red Hot Clhilli Peppers, Audioslave, Charlie Brown Jr., Detonautas e Hard Rock a banda, formada por Luiz Carvalho (vocal e guitarra), Victor Mendes (guitarra), Renato Carvalho (baixo) e Wallace Ribas (bateria) tem como proposta unir a energia do Hard Rock e a levada da Funk Music (não é a toa que RHCP figura entre as influências...). Eles são, inclusive, responsáveis pela produção do evento Dia do Rock, realizado no mesmo Clube Lusitano onde a galera do Araribóia Rock monta seu circo para a edição de 2010 de seu festival. O Dia do Rock é, sem dúvidas, o evento que mais estrutura oferece para artistas atualmente em nossa cidade. Sendo assim, além de atuar como músicos, Os Codoaldos vem prestando um belo serviço ao circuito independente da cidade! Nas apresentações da banda que este que vos escreve pode conferir, sobraram animação e energia vindas do palco. Fica a torcida para que no dia 11, a garotada da Os Clodoaldos mostrem, além da competência de sempre, sons próprios (já que seu repertório vinha sendo baseado em covers). Estamos na expectativa!
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Tarde nervosa para este que vos escreve. No bar, cada cerveja anunciava o andar do ponteiro do relógio. A hora passava. Vinte e seis anos depois da conqusita do Brasileiro, no Maracanã, sobre o Vasco, a última rodada do Brasileirão 2010 podia consagrar o time das Laranjeiras como o grande campeão, o dono do futebol brasileiro no ano do centenário corinthiano. Enquanto esperava o Rômulo (do saudoso e-zine RioHC), meu companheiro de sofrimento e tensão nesta tarde, lemrava de tudo que acontecera nos últimos anos ao meu querido Fluzão: Vice da Libertadores, vice da Sul-Americana, quase rebiaxado ano passado... Lembrava também do que foi o Brasileirão 2010. Todos os indícios de que o mal venceria o bem este ano: Centenário, Ronaldo, Roberto Carlos, estádio da Copa de 2014 e todos os holofotes da mídia nos cem anos do clube paulista.

O artigo que eu publicaria aqui após a última rodada do Brasileirão iria se chamar ‘Meus domingos com Roberto Carlos’. Longe de se tratar de uma matéria sobre o Rei (da música), o mesmo trataria de minha agonia tendo de suportar, rodada após rodada, independentemente do resultados dos jogos e das posições na tebela, o furor quase uterino da mídia com relação ao Corinthians e seu lateral esquerdo. Tudo era motivo para um “Vamos ao vivo ao vestiário do Corinthians...”! Coisas exdrúxulas como: “Roberto Carlos fala do que achou do juiz da partida!”, “Roberto Carlos dá coletiva neste momento!” ou “Roberto Carlos fala das chances do Timão” e até “Roberto Carlos fala ao vivo com o craque (...) Neto!”. Irrita qualquer ser humano.
Mais que irritar, faz pensar se não está tudo armado, comprado, pronto para a festa dos cem anos de uma das maiores torcidas (literalmente um ‘bando’, eles mesmos admitem) do país. Não é segredo pra ninguém que o Tricolor João Havelange, presidente de honra da FIFA vai indicar seu cunhado, o nesfasto Ricardo Teixeira, para a presidência da entidade máxima do futebol após a Copa de 2014. O problema é que o mesmo Ricardo Teixeira dá mostras de que indicará o presidente corinthiano para seu luagr na presidência da CBF. O fato de André Sanchez ter sido enviado à Copa deste ano como presidente da delegação brasileira é um indício. O atraso na definição de um estádio paulista para a abertura da Copa (sendo que o Corinthians corre pra viabilizar o seu estádio), outro. Ou seja, tudo levava a crer que ‘não iriam deixar’ o centenário corinthiano virar um ‘centenada’.

De volta pro bar e minha tremedeira e transpiração incontroláveis: Já com o Rômulo na mesa e a bola rolando, o clima era de tensão. Comentários comedidos, copos esvaziados rapidamente e unhas devidamente destroçadas. Minutos depois chegaria o Tácio (meu ex-colega de banda Choose a Life, vascaíno, torcendo pelo futebol carioca e de olho no seu Vasco que venceria o Ceará e se garantiria na Sul-Americana). Todos os olhares eram pro Engenhão. Como diria Nelson Rodrigues (ele também foi ao estádio, certeza, ficou ao lado do Telê Santana que comandou o Muricy nesta tarde): “todos os Tricolores do Céu e da Terra, vivos ou mortos”. E tome cerveja! E tome suor! E tome tremederia! Os minutos se arrastavam e nada de gol. Encerrando sua carreira, o árbitro Carlos Eugênio Simon distribuia cartões às pencas. E nada de gol. No bar e no estádio, o desfile de sempre da torcida feminina mais linda do universo! O time tentava controlar o evidente nervisoismo. O Guarani, por sua vez, é um time que não chega sequer no razoável, mas resistia, e até ameaçava vez ou outra (o que quatro milhões não fazem). A sensação era nítida, ao menos pra mim: tá faltando alguma coisa, ou alguém... mas quem, ou o quê? Definitivamente, faltava alguém, e esse alguém chegou.

O Sobrenatural de Almeida esteve entre nós! Chegou atrasado, mas chegou. O atraso do personagem mais emblemático da história do Tricolor Carioca tem um motivo: Antes de chegar ao estádio carioca, ele fez uma visita ao Estádio Serra Dourada minutos antes de tomar seu acento no Engenhão. Lá em Goias, o Sobrenatural de Almeida não precisou de muito esforço. Consciente de que um simples olhar seu é suficiente para mudar a história de uma partida, o ilustre Tricolor lançou seus poderes na direção de Julio César. O pobre goleiro corinthiano não resisitiu: um passe básico, infantil, ridículo, se tornaria a desgraça do centenário de seu clube. Já em terras Cariocas, o Sobrenatural de Almeida – devidamente instalado em sua cadeira no Engenhão com seu Jornal dos Sports debaixo do braço – agiu novamente: Olhar fixo em Carlinhos que cruzou, a bola passa por Washington (em má fase, melhor não arriscar) e cai no pé do Sheik... Fluminense Football Club: Campeão Brasileiro de 2010.
Não era só um título, era um título do Fluminense. E quando isso acontece, o mundo muda. O Universo respira aliviado e conspira a favor das coisas boas. A benção João de Desus, Nelson Rodrigues, Telê Santana e todos os nossos guias nessa conquista. E tome chuva e cerveja, até não poder mais, até esquecer de tudo, de todos. Até esquecer do mundo, da vida, do dinherio (falta de), dos nomes, das vozes, dos gritos, de tudo! A chuva veio pra abençoar, lavar a alma, corrigir a história, sintonizar, inundar, se misturar com lágrima e cerveja... E por fim: “Grandes são os outros. O Fluminense é enorme.” (Nelson Rodrigues)
* * *
Um recadinho pro 'dublê de ex-craque' e pseudo-comentarista Neto e pro Dr.Osmar de Oliveira, ambos da Rede Bandeirantes: LAVEM ESSAS BOCAS IMUNDAS ANTES DE FALAR DO FUTEBOL CARIOCA!
Rafael A.
fotos: Portal Terra
No Twitter: Parabéns Flu :: Tricolores :: CENTENADA :: Chupa Corinthians
Publicado originalmente no blog de Rafael A.: Sangue Azul na Praça Vermelha

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